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Índice do Artigo
CONTRIBUIÇÕES DA PSICOLOGIA PARA A PROPOSTA CONSTRUTIVISTA DE ENSINO-APRENDIZAGEM
Introdução
O construtivismo à luz da teoria piagetiana
A mediação Instrumental
A mediação social
O paralelo entre as teorias de Piaget e Vygotsky
Considerações Finais
Referências Bibliográficas
Todas as Páginas

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O desafio da materialização da proposta construtivista de ensino no contexto educacional vem ocupando a tônica dos debates nos quais se propõe alternativas que corroborem com o processo de democratização do ensino nas unidades escalares brasileiras.

Procuramos enfatizar o pensamento dos autores Jean Piaget e Lev Vygotsky na intenção de trazer à luz a importância de ambos para a compreensão do construtivisno enquanto perspectiva de internalização do conhecimento, ora reconhecendo a iniciativa espontânea do indivíduo como condição primária para a superação dos conflitos epistemológicos, ora ressaltando a interação do indivíduo com seus pares como sendo uma postura imprescindível para sustentarmos a acepção do processo de ensino-aprendizagem como uma ação comunicativa que envolve indubitavelmente a socialização de experiências.

Enfim, o importante é que tenhamos sempre como ideal pedagógico uma postura construtivista, onde haja espaço para atuação do aluno de forma independente, pautada no constante exercício de sua autocrítica. Como também, uma intervenção docente como mediador que deve pautar o ato educativo na discussão dos conteúdos elencados no currículo escolar, sobretudo, das questões que dizem respeito a realidade em que o aluno está inserido; as questões históricas e suas interpretações críticas; as questões do nosso tempo e suas implicações no exercício da cidadania e inserção no mercado de trabalho.

Buscamos enfatizar a interdisciplinaridade como uma expressão da prática construtivista de ensino por concebermos a atitude de se planejar e executar coletivamente as atividades educativas como uma postura que deve ser exercida em situação e não simplesmente por memorização de conteúdos programáticos através dos enunciados de cada disciplina do currículo escolar.

Evidenciamos, também, que ser construtivista não se trata de abandonar o conteúdo em troca do casuísmo, nem mesmo de insistir na discussão de temas circunstanciais surgidos no momento em que se processa o ato pedagógico escolar. Como também, não se trata de abolir o planejamento, as metodologias e a disciplina. Isto não seria construtivismo seria desordem e regresso do processo de escolarização ao nível assistemático e informal.

Portanto, a proposta construtivista de ensino requer organização, compromisso, noção de onde se pretende chegar, pois é inconcebível pensar uma construção, na qual todo dia significa o início da obra, é preciso, de fato, reiniciar todo dia, mas de onde já se conquistou, rumo a uma formação consistente, sustentada pelos pilares da razão e da tomada de consciência cotidiana sobre o objeto de conhecimento.

NOTAS:

  1. Piaget e Vygotsky têm grande relevância para os estudos sobre desenvolvimento humano. No entanto, o primeiro teve o sujeito epistêmico como preocupação central, voltando seus estudos aos processos de pensamento desde a infância até a idade adulta. O segundo concentra seus trabalhos na busca de explicar como se dá o desenvolvimento humano-cultural da criança, ou a aquisição dos sistemas e estratégias de mediação.
  2. Vários autores têm se preocupado em explicar as temáticas entre eles: Emilia Ferreiro (2001) e Ana Teberovsky (1997).
  3. O epistemólogo Jean Piaget (1896 – 1980) interessa-se desde cedo pelas questões epistemológicas - Como é possível o conhecimento? Como se pode passar de um conhecimento menor a um maior? Que papel tem o individuo no ato do conhecimento? Naquela época, a epistemologia estava dividida entre os que defendiam que o conhecimento era simplesmente uma cópia da realidade exterior e que era adquirido por meio dos sentidos – empirismo – e os que defendiam que o conhecimento era inato – inatismo – nesse contexto, Piaget propõe uma terceira alternativa. Defendia que o conhecimento vai sendo construído – não é inato – e que, nessa construção, o indivíduo tem um papel essencial. A aquisição do conhecimento não é simplesmente uma cópia da realidade como os empiristas crêem. “Dá uma base empírica às suas preocupações epistemológicas e, por isso, interessa-se pela psicologia, sobretudo àquela que lhe permite seguir o processo de evolução dos conhecimentos ao longo da vida” (Coll, 2000: p.250).
  4. “(...) atuar no sentido piagetiano não se pode traduzir, necessariamente, por ações e movimentos externos e visíveis. Esse poderia ser o caso das crianças pequenas, que de alguma maneira necessitam manipular a realidade que as envolve para poder entendê-la” (Coll, 2000: p.250).
  5. O processo de equilibração, a partir do que pressupõe o conjunto da obra de Piaget, diz respeito a um mecanismo interno que regula os processos de assimilação e acomodação em cada indivíduo. É assim que, segundo a leitura desse autor, nos adaptamos biologicamente ao mundo que nos cerca, o desenvolvimento da mente – desenvolvimento intelectual.
  6. (...) É interessante desenvolvermos aqui como o indivíduo responde ao processo de desequilíbrios. Segundo Juan Ignácio Pozo, as respostas podem ser não-adaptativas quando na ausência da tomada de consciência do conflito, isto é, não levar a perturbação ao estágio de conflito. Já nas respostas adaptativas o sujeito é consciente da perturbação e busca maneiras de resolvê-las. Estas podem ser do tipo: alfa – a regulação não indica mudança, visto ser a perturbação muito leve; beta – o elemento perturbador integra-se ao sistema de conhecimento; gama – antecipação das possíveis variações que deixam de ser perturbações para converter-se em parte do jogo de transformações do sistema. (Pozo, 1998: p.181).
  7. A afirmação de Piaget de que todo conhecimento adquirido pelo indivíduo, que passou como uma visão radical aos psicólogos americanos quarenta anos atrás, atualmente é amplamente aceito. Hoje, os cientistas cognitivistas partilham da idéia de que o conhecimento é construído pelos alunos. (Wadsworth, 1997).


 
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